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Edição de - Gente
Os dois sonhos de Pedro
Fonte: Portal Gaz/Bruno Pedry Clique para Ampliar

Helena, de 9 anos, acomoda a cadelinha – que ela chama de Frufru – no assento do passageiro. Frufru balança ligeiramente a cauda e observa sua parceira com olhos de contentamento. É uma oportunidade para ela fazer mais um passeio. Pedro, de 49 anos, não contraria a iniciativa da filha. Ele sabe que, instantes depois de dar a partida, Frufru toma a liberdade de experimentar um dos seus maiores prazeres: colocar a cabeça para fora da janela e sentir o sopro do vento.
Com o sobrenome Borba pintado à mão livre em uma das portas, o Ford 75 com faróis ainda originais sai do Bairro Santa Vitória em mais um dia de busca: recolher sucata em vários pontos comerciais e residenciais de Santa Cruz do Sul. Há 15 anos, é disso que Pedro sobrevive.
Pedro é paranaense. Tornou-se gaúcho quando, aos 4 anos, mudou-se com os pais, Carlos e Laudina, para o interior de Sobradinho, hoje município de Lagoão. Aos 8 anos, ainda criança e já trabalhador, perdeu a mão esquerda num moedor de cana. Nem por isso parou de estudar e trabalhar. Com suas limitações, concluiu o ensino fundamental e passou a vender bilhetes de loteria nas calçadas da cidade. Era um jeito, diz ele, de contribuir com a renda da família de mais oito irmãos.
Foi assim até Pedro completar 26 anos, quando a família Borba mudou-se mais uma vez. Agora para Santa Cruz do Sul. Atraídos pelas oportunidades nas fumageiras, nos anos de 1990, Carlos e Laudina tornaram-se safreiros enquanto o filho, Pedro, empreendedor, abriu seu próprio estabelecimento: o Mercado Santa Rita, no então Bairro Boa Esperança, hoje Santa Vitória.
Quase dez anos depois deixou “a venda”, como ele diz, para um outro irmão e comprou a caminhonete com carroceira de lata. Agora, já completados 15 anos recolhendo geladeiras e fogões velhos pela cidade, Pedro foi batizado com mais dois nomes: o “homem do ferro-velho” e “mãozinha”, em alusão ao braço que lhe falta.

SONHOS – Enquanto Pedro conta sua história, Frufru aguarda e aproveita para tirar uma soneca em uma das duas almofadas que servem de assento. Só ergueu a cabeça ao ouvir o ruído da porta do seu veículo de passeio. Pedro queria mostrar a parte de dentro do carreto. E Pedro então começa a falar de sonhos. Seus dois sonhos.
Primeiro, o de consertar a caminhonete IBO 3811, com placas de Santa Cruz do Sul, que precisa de múltiplos reparos. Segundo, e o mais importante: conseguir uma prótese funcional para seu braço esquerdo e poder trabalhar normalmente como quando tinha 8 anos. Frufru, e Helena, obviamente, também ganhariam com isso: o abraço que elas recebem todos os dias seria ainda mais completo.

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