Previsão do Tempo Min: Máx: 21°
Previsão Completa
Você está na edição de Sábado, 31 de Março de 2012
Clique aqui e veja outras edições
Edição de - Opinião
A confissão do bispo

Na semana passada a presidente Dilma Rousseff nomeou um bispo da Igreja Universal para o Ministério da Pesca e, logicamente, muita gente estranhou. Os motivos que a levaram a tal nomeação é do conhecimento de todos: apaziguar os evangélicos e abrir ainda mais os espaços para a candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo. Mas, voltemos na história, especificamente no tempo da Galileia de Jesus, para entender a escolha da presidente.
O divino rabino, sempre que perguntado, costumava se definir como um pescador de almas. Jesus, o filho do carpinteiro, pouco conhecia da arte de pescar, talvez também não sabia sequer colocar uma minhoca no anzol, mas tinha entre seus discípulos alguns pescadores profissionais que largaram sua labuta junto ao mar para segui-lo pela Palestina, pregando o amor ao próximo. Dilma Rousseff, neste aspecto, está correta: o senador Marcelo Crivella, bispo licenciado da Universal, embora de outra estirpe, pode de fato se sair bem como ministro da Pesca, especialmente se cerca-se de gente competente para ajudá-lo nessa atividade. Embora seja do conhecimento de todos que não serão os peixes nem a comunidade de pescadores sua prioridade e que a isca é apenas um engodo político.
Mas, independente dos fatos políticos que o alçaram à Esplanada, o senador evangélico iniciou de forma primorosa o seu caminho espinhoso como ministro, ou seja, falando a verdade, e isso é raro. Muitos não sabem colocar uma minhoca no anzol mas, nem por isso, se confessam inaptos.
Crivella optou pela verdade e isso é um ótimo começo, um início auspicioso, especialmente neste meio político onde a cara de pau e o mau caratismo imperam. Onde políticos e administradores públicos quando pegos com a mão na cumbuca, negam seu próprio ser. Negam o inegável, a própria imagem gravada. Desse tipo de gente não se espera que reconheçam sua inaptidão para o cargo. Já o senador Crivella, pelo menos, optou pelo ato confesso da falta inicial de capacidade e isso, além de raro, pode ser visto como um bom começo.
Ao explicitar publica e antecipadamente sua inaptidão para o cargo, ele retirou dos seus opositores o principal argumento de crítica. Parabéns senador, a verdade antes de tudo.

Sérgio Peixoto Mendes
Filósofo
tell.mendes@gmail.com

Compartilhe esta notícia Deixe seu comentário Assine a newsletter Indique esta Notícia


Mais Notícias de Geral
Jornal Gazeta do Sul
Rua Ramiro Barcelos, 1206 | Santa Cruz do Sul - RS
(51) 3715-7800 | portal@gaz.com.br
Desenvolvido e Mantido por
Equipe de TI Gazeta Grupo de Comunicações