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Edição de - Opinião
Mais um que se foi

Eu gostava muito dele, como professor e como ser humano. Amigo, afável, inteligente e competente, sem nunca perder a humildade, que distingue os verdadeiros grandes homens. Tê-lo como mestre foi um privilégio, que tivemos nós, Murileiros, numa fase muito importante de nossa formação. Ter sua amizade, fora do ambiente específico de sala de aula, foi um privilégio ainda maior.
Como professor, sua linguagem simples fazia parecer simples informações complexas. Sabia, como ninguém, chegar na dúvida do aluno. Os conhecimentos adquiridos, dirigidos a quem teria a missão de ensinar, para mim, que não segui a carreira, me são úteis até hoje, nas pequenas coisas que faço na área de cultivar algumas plantas, preparar um pequeno canteiro e mesmo entender o que falam as pessoas que tratam disso, profissionalmente.
Quando assisto a um Globo Rural ou algum programa que trate de plantas, sempre lembro dele e de suas aulas. O circuito da seiva, das raízes às folhas e, de volta à planta toda, o “laboratório” das folhas, no processo da fotossíntese, processo de osmose, seiva bruta/seiva elaborada, o verde da clorofila, tudo são fragmentos de um período letivo que, quando buscados na memória, vão se juntando, até recompor a fração necessária ao entendimento de uma nova colocação ante à matéria.
Quando as pessoas me perguntam, meio espantadas, de onde eu tirei esses conhecimentos, uma vez que não sou agrônomo, digo: – Foi na Murilo, em nível “ginasial”. Aí, provocado, tenho imenso orgulho de contar o que foram aqueles quatro anos de ensino exemplar, que nos nutriu muito acima de nossas necessidades, e nos preparou para, com um conhecimento geral muito acima da realidade das outras escolas. A base foi lançada, cada um seguiu seu caminho, mas todos têm as condições de, quando necessário, aprofundar o que recebeu naquele período.
Ariosto Nóbrega Barreto foi um desses ícones do conhecimento e exemplo de conduta, que tivemos naquele período de grande sacrifício, mas imenso crescimento intelectual e como seres humanos. O corpo, como matéria perecível, ao não preencher mais as condições necessária a suportar o espírito, morre, como morrem as plantas, cujos segredos nos ensinou o professor Ariosto.
O espírito é eterno, como eternas são as marcas que deixa, em sua curta passagem por nossas vidas. Que cada um, dentro da realidade de sua fé, faça suas preces, pelo velho professor, que conhecemos ainda jovem. Minhas preces são de gratidão, pelo privilégio de tê-lo conhecido, tê-lo tido como mestre e ter privado de sua amizade e carinho, numa fase muito difícil e ao mesmo tempo importante de minha vida.

José von Hheimbur
Ex-aluno da Escola Rural Professor Murilo Braga de Carvalho/Morador de Canoas (RS)

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