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Edição de - Geral
Demóstenes e os Flanelinhas

Mozart Linhares da Silva
mozartt@terra.com.br

Atribui-se a Charles de Gaulle, não se sabe se com justiça, a afirmação de que o Brasil não é um país sério. Particularmente, tendo a concordar com a sentença. Basta pararmos um pouco para pensar nos escândalos de corrupção jamais esclarecidos, nas falcatruas diárias, nas licitações com carta marcada, nas chantagens das empreiteiras, etc.
O mais repugnante, contudo, é o resultado das investigações e a impunidade generalizada para políticos criminosos. Quando se fala em crime organizado no Brasil, não posso deixar de pensar que a “organização” mais perigosa e danosa à sociedade é a formada pela camarilha de políticos inescrupulosos, muitos eternizados no poder. Essa sim é a verdadeira organização criminosa deste país. Temos que pensar nos políticos corruptos como homicidas, pois quando nos deparamos com as pessoas morrendo nas filas de hospitais que tiveram suas verbas desviadas, estamos frente a um crime perverso e hediondo. E Brasília não nos dá folga, mantém sua agenda de escândalos cotidianamente atualizada.
Agora é a vez do senador Demóstenes Torres, o político com cara de bom moço dos “Democratas”, envolvido em vários esquemas de corrupção e “sócio oculto” do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mas o que causa indignação é nem tanto o fato de mais um político ser descoberto lesando a população brasileira, mas o tratamento recebido por este tipo de meliante. Digo isso depois de tomar ciência da nova lei que pretende coibir a atividade dos chamados “flanelinhas” em Santa Cruz do Sul, acusados de constranger os motoristas e “impedirem o direito de ir e vir dos cidadãos”. Nada contra o projeto, nada contra o vereador que o propôs. É uma proposição que parece honesta e tenta “resolver” um problema das pessoas motorizadas de nossa cidade. A questão não é essa. O que impressiona é a diferença de tratamento legal e jurídico entre um Demóstenes (poderíamos citar centenas deles) e um “flanelinha”.
Os presumíveis meliantes/flanelinhas estarão enquadrados no artigo 47 da lei 3.688/41, que trata das Contravenções Penais. Segundo a lei, esses “aproveitadores” estariam sujeitos a “detenção, reclusão, pagamento de multa ou prestação de serviços à comunidade”. Reclusão? Cadeia? Serviços à comunidade? Isso parece uma piada de mau gosto, mas é apenas a corriqueira (in)justiça brasileira que insiste em punir desamparados e proteger bandidos com posição social.
Comparem as garantias e proteções legais recebidas por um Demóstenes. O ilibado parlamentar será julgado por uma Comissão de Ética composta por pessoas de moral igualmente duvidosa que decidirá se ele deverá ser cassado por “decoro parlamentar”. Aí sim, depois de caçado, poderá ser julgado como “pessoa comum” pela “justiça comum”. E podemos presumir o resultado disso tudo, considerando os incontáveis casos anteriores! No caso dos flanelinhas... bom, para esses o cárcere poderá ser uma realidade!

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