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“Não pode fazer cara feia”
Fonte: Rodrigo Assmann Clique para Ampliar

Gelson Pereira
* gelson@gazetadosul.com.br

Aos 28 anos, Mônica Monteiro da Silva diz que gosta de ocupar o seu tempo vago com leitura. De preferência algum romance policial da paulista Patrícia Melo, sua autora preferida. Acompanhada de algum clássico da MPB, a leitura fica melhor ainda, diz ela. Se a tarefa não exige tanta concentração, um bom rock and roll tocando é a pedida. Se for algum som de Ozzy Osbourne, lendário vocalista do Black Sabbath, melhor ainda.
Bonita, elegante e simpática, Mônica é daquelas mulheres com grande capacidade de sedução. Uma mulher com um leve toque de menina. Meio tímida, até. O que pode provocar ainda mais a atração masculina. Quando se apresenta com seu sobrenome artístico, revela coisas que certamente passam despercebidas à primeira vista: Mônica Mattos, a principal estrela do cinema pornô brasileiro. A única que ganhou o troféu AVN, em 2008, considerado o Oscar mundial do gênero.
Dois anos depois de ter consolidada sua fama em frente às câmeras, Mônica se aposentou. Ou deu um “até breve”, como ela mesmo define. Foram oito anos de trabalho, gravando praticamente toda semana, o que lhe rendeu um currículo de mais de 400 títulos. O total exato, até a própria atriz perdeu a conta. Hoje, a indústria do entretenimento erótico ainda é sua fonte de sobreviência. Mônica Mattos faz shows de strip-tease, enche casas noturnas pelo Brasil afora e esteve em Santa Cruz do Sul na última semana.
Sorridente e simpática, ela conversou com o Magazine na tarde de sexta-feira. Contou detalhes da rotina de produção de filmes do gênero, o mercado do cinema pornográfico, a forma como encara a profissão, a relação com o público e alguns de seus projetos pessoais e profissionais.

CURIOSIDADES

l Os primeiros filmes eróticos foram produzidos ainda no final do século 19, mas o pornô como é conhecido hoje nasceu por volta de 1915 nos Estados Unidos e na França. A produção em larga escala desse gênero, entretanto, começou apenas na década de 1980, por um motivo simples: após a criação do VHS, as cenas apimentadas podiam ser assistidas na privacidade de casa e não apenas em salas de cinema.
No Brasil, cinema pornô foi por muito tempo sinônimo de pornochanchada. Até a década de 1970, o País não tinha uma grande produção de filmes eróticos. Com características próprias, como baixa qualidade técnica, humor e visão conservadora da sexualidade, a produção brasileira deu um salto. Estima-se que foram produzidos mais de 600 filmes nos anos 70. Alguns quebraram recordes de bilheteria, como Os Mansos, que foi assistido por 2,8 milhões de espectadores.

ENTREVISTA

Mônica Mattos - Atriz

Magazine – Você acha que o sexo ainda é um assunto difícil de tratar?
Mônica Mattos – Eu acho que hoje em dia não é tanto. Eu já vejo o pessoal falando mais abertamete, expondo as fantasias, casas de swing lotadas. Então acho que isso está melhorando.
Magazine – Como você chegou ao mercado do cinema pornô?
Mônica – Foi através de uma amiga. Ela já trabalhava assim, e eu fiquei curiosa e fui experimentar. Mas eu não tinha a intenção de trabalhar com isso realmente. Era só para fazer e ver como era. Só que eu gostei e continuei.
Magazine – Com quantos anos foi o primeiro filme?
Mônica – Eu tinha 18.
Magazine – Quantos filmes você já fez nesse tempo?
Mônica – Ah, perdi a conta. Acho que mais de 400.
Magazine – O que faz uma atriz pornô ser considerada boa profissionalmente e ganhar prêmios como o que você ganhou em 2008?
Mônica – Em primeiro lugar, gostar do trabalho, para fazer direito. E passar a realidade para quem está assistindo, independente de estar sentindo prazer ou não. Para passar aquele tesão para a pessoa que está assistindo. Não pode fazer cara feia, porque eu vejo algumas aí que dá para ver que estão fingindo. Então tem que fingir direito.
Magazine – Qual o ritmo de trabalho de uma atriz pornô?
Mônica – É cerca de um filme por semana.
Magazine – Você sente prazer quando está gravando?
Mônica – Às vezes. Não sempre.
Magazine – Que tipo de cenas você não fez ou não faria?
Mônica – Que eu não fiz? Acho que já fiz bastante coisa.
Magazine – Qual o principal desafio para uma atriz pornô?
Mônica – Ignorar o preconceito. Uma coisa que eu lido muito bem é não estar nem aí para a opinião dos outros, porque sempre vai ter quem critique. Mas não pode deixar isso te afetar.
Magazine – Que tipo de preconceito você já presenciou?
Mônica – Eu não passei por isso porque não dou espaço. Então, na minha frente ninguém fala nada, mas sempre tem uns comentários que a gente fica sabendo. Mas enquanto não falar na minha cara, está tudo bem.
Magazine – Por que você parou de gravar e passou a se dedicar aos shows? Pretende voltar algum dia a fazer filmes?
Mônica – Eu volto a fazer se tiver uma proposta boa. Não estou fazendo porque as propostas não estão interessantes. As produtoras estão produzindo bem menos que antigamente.
Magazine – Qual o limite de idade para uma atriz pornô?
Mônica – Depende da condição física e da disposição. Não tem muito isso de idade.
Magazine – A recompensa financeira dessa carreira é boa?
Mônica – Sim. É, sim.
Magazine - Você trocaria por outra profissão?
Mônica – Não.
Magazine – Como está o mercado do cinema pornô?
Mônica – Péssimo. Devido à pirataria, internet. Por isso as produtoras não conseguem vender os filmes e produzem bem menos, com qualidade cada vez menor.
Magazine – Você fez filmes de curta-metragem recentemente, que não são do gênero pornográfico. Qual a diferença e como foi a experiência?
Mônica – Eu achei ótima. Foi uma experiência nova para mim. É bem mais complicado para gravar, leva muito tempo. Não é como uma gravação de filme pornô, que em duas horas está gravado. São dias para fazer um curta e tem muito mais trabalho, mas é bem gratificante.
Magazine – Como é a Mônica Mattos longe das câmeras e dos palcos?
Mônica – Eu gosto de ler, gosto de sair à noite...
Magazine – O que você gosta de ler?
Mônica – Romances policiais, terror...
Magazine - Qual seu livro favorito?
Mônica – Qualquer um da Patrícia Melo.
Magazine – Música?
Mônica – Música? Eu gosto de rock, MPB, quase tudo.
Magazine – Um artista?
Mônica – (pausa) Ozzy.
Magazine – Você tem tatuagens. Isso ajuda ou atrapalha no mercado pornô?
Mônica – Já perdi alguns trabalhos pelas tatuagens.
Magazine –Você recebe cantadas quando os homens te reconhecem?
Mônica – Sim.
Magazine – Muitas?
Mônica Mattos – Não muitas. O pessoal reconhece, chega e fica um pouco com receio, um pouco tímido.
Magazine – Você é casada, tem algum relacionamento?
Mônica – No momento, não.
Magazine – Filhos? Pretende algum dia?
Mônica – Não.
Magazine – Tem feito muitos shows?
Mônica – Vários. Já conheci o Brasil todo fazendo shows.

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