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Energia e irreverência
Fonte: Divulgação Clique para Ampliar

Velhos conhecidos de Santa Cruz, os Inimigos da HP voltam ao município neste sábado para um show no Complexo Gazeta Inside. O grupo, que despontou como um dos mais importantes do chamado pagode universitário – surgido no decorrer dos anos 2000 –, vem apresentar o seu mais recente trabalho, Mudei por Você.
Em entrevista exclusiva ao Magazine, o vocalista Sebá (na foto, em destaque) disse que o álbum é “um recomeço para o grupo”, referindo-se à inaguração da parceria com a produtora FS, a mesma dos bem-sucedidos Fernando e Sorocaba.
Sorocaba, aliás, assina quatro das canções do novo disco. A parceria entre pagodeiros e sertanejos soa quase tão inusitada quanto uma banda de pagode homenagear um astro da MPB. Mas os Inimigos também fizeram isso, aliás, em uma turnê toda dedicada a Chico Buarque.
É por essas e outras que a banda é reconhecida pela irreverência – e músicas como Tipo Fiona, carro-chefe do novo disco, não deixam por menos. Para sorte dos fãs, esse é o espírito que o vocalista promete para o retorno a Santa Cruz. Confira a conversa na íntegra:

Gazeta – Vocês acabaram de lançar um novo álbum chamado Mudei por Você. Como avaliam esse trabalho em relação aos anteriores?
Sebá – Esse trabalho é um recomeço para o grupo. É o primeiro fruto de nossa parceria com a FS Produções Artísticas, e estamos muito animados com essa nova fase. É um trabalho animado, com a cara do Inimigos. Ficamos muito contentes com o resultado.

Gazeta – Quatro canções do disco foram feitas em parceria com o sertanejo Sorocaba. Essa parceria entre pagode e sertanejo funciona bem? São ritmos que se completam?
Sebá – O pagode e o sertanejo são dois estilos que agradam muito ao público, que estão nas baladas e sempre na moda. Por isso, acredito que eles se completam, sim, e essa parceria só fortalece os dois.

Gazeta – Por falar em outros ritmos, o que vocês costumam ouvir e se apropriar como influência para além do pagode?
Sebá – Ouvimos vários estilos e buscamos abstrair o melhor de cada um deles. Isso faz com que nossa música também amadureça e ganhe em qualidade.

Gazeta – Vocês já vieram várias vezes para o Rio Grande do Sul, inclusive aqui para a região de Santa Cruz do Sul. Como é a relação de vocês com o público gaúcho?
Sebá – Nós sempre fomos muito bem recebidos em todo o Rio Grande do Sul. É sempre um prazer enorme tocar no Sul, nossos fãs dessa região são muito calorosos e especiais. Por isso já fomos tantas vezes e ainda iremos muitas.

Gazeta – Em 2011, vocês realizaram um projeto especial em homenagem a Chico Buarque. A turnê envolvia uma releitura das principais canções do cantor. Como surgiu essa ideia? Não causou estranhamento uma banda de pagode fazer referência a um astro da MPB?
Sebá – Todos nós admiramos muito o trabalho do Chico Buarque, que é um dos maiores compositores do Brasil de todos os tempos. Por isso tivemos a ideia de homenageá-lo, e foi uma honra enorme. Não houve estranhamento nenhum, foi inesquecível.

Gazeta – A marca do Inimigos da HP sempre foi a irreverência, presente em músicas mais agitadas, que se intercalam a outras mais românticas. O que podemos esperar do show em Santa Cruz?
Sebá – Podem esperar isso mesmo: irreverência e muita alegria. Vamos fazer um show com muita energia e interação, e faremos de tudo para ser um dia inesquecível.

Gazeta – E para os próximos anos, quais os planos? Estão em turnê, já pensam no próximo disco, algum DVD em mente ou algum outro projeto diferenciado?
Sebá – Acabamos de lançar nosso novo projeto e agora estamos focados nos próximos shows. Mais para a frente, com certeza teremos novos projetos. Estamos planejando um DVD para o próximo semestre.

AGENDE-SE

l O quê?
Show do Inimigos da HP
l Quando?
Neste sábado
l Onde?
Complexo Gazeta Inside
l Classificação?
14 anos (é obrigatória apresentação de documento com foto)
l Ingresso?
R$ 25,00 para pista e R$ 50,00 para camarote e pista
l Onde comprar?
Joalheria e Ótica Kothe,
Yes Feminina, Gazeta, Gazeta
Inside e Rádio Rio Pardo
l Outras atrações?
DJs Maiquel Thessing, Fábio Pagliuca, Dru e Marcelo Goettems

Um gaúcho sem bombacha

Em 30 anos de carreira, Vitor Ramil fez mais do que lançar nove discos, três livros, experimentar o teatro, eternizar uma canção autoral no repertório brasileiro (a belíssima Estrela, Estrela, a qual escreveu durante a adolescência), trabalhar com alguns dos mais prestigiados astros da MPB e projetar sua obra em turnês mundo afora. O pelotense, caçula dos irmãos Kleiton e Kledir, contribuiu (e segue contribuindo) para a formação de uma nova identidade gaúcha, não associada diretamente ao tradicionalismo, mas muito particular.
Na esteira do elogiadíssimo Délibáb, seu mais recente álbum, no qual dá voz e canção a poemas de João da Cunha Vargas e Jorge Luís Borges e divide vocais com ninguém menos que Caetano Veloso, Vitor retorna neste fim de semana a Santa Cruz – onde esteve pelo menos duas vezes nos últimos dez anos – para um show promovido pelo Sesc.
O músico conversou por e-mail com o Magazine esta semana. Na entrevista, falou sobre o atual momento na carreira (acabou de voltar de uma turnê pela Europa), a recepção ao seu trabalho fora do Estado e os planos para o futuro.

Gazeta – O que podemos esperar do show em Santa Cruz? O repertório de Délibáb será privilegiado ou haverá espaço para canções mais antigas?
Vitor Ramil – Haverá espaço para canções e milongas de todos os meus discos. Talvez um pouco mais do Délibáb. O show de voz e violão me dá essa liberdade, e é sempre um bom exercício organizar um grupo de canções de época e trabalhos distintos.

Gazeta – Excursionaste recentemente pela Europa. Como é a recepção de uma música que, afinal de contas, guarda uma infinidade de referências ao tradicionalismo gaúcho?
Vitor Ramil – A recepção é ótima. Em Portugal me impressiona muito como repercute a poesia de João da Cunha Vargas. as pessoas se comovem. Sinal de que os versos dele e suas respectivas melodias transcendem as nossas fronteiras. Um jornalista de Lisboa me perguntou se eu sabia a que se devia o êxito do Délibáb em lugares distantes do RS. Eu respondi que não e devolvi a ele a pergunta. Ele me disse que para eles, em Portugal, é porque soava novo, como se eu estivesse falando de um lugar do mundo que eles acabavam de descobrir.

Gazeta – E como percebes hoje a recepção à cultura gaúcha no restante do Brasil?
Vitor Ramil – Acho que o Brasil começa a deixar de nos ver apenas através do nosso estereótipo. A música que fala de nós já não é só aquela gauchesca de cunho folclórico. Nossa sensibilidade começa a ser percebida em sua completude. Ganhei em sequência dois Prêmios de Música Brasileira como melhor cantor, um de MPB, outro de música regional. Significativo isso, não?

Gazeta – Já houve polêmicas no Rio Grande do Sul em razão de músicos que acusaram o tradicionalismo de “sufocar” outros tipos de expressões artísticas. Tua projeção para todo o País seria uma prova de que isso não é verdade?
Vitor Ramil – O tradicionalismo sempre fez o seu trabalho. E num país continental como o Brasil, é difícil que as regiões se conheçam de forma aprofundada. Se nós queremos mostrar que somos mais que o gaúcho cantado pelos folcloristas, temos também que trabalhar bem para isso. Acho que eu e alguns outros artistas temos trabalhado com muita eficiência no sentido de falar de nós de uma forma mais livre e abrangente. E acho que isso tem surtido efeito. Nossas questões identitárias, nossos debates internos e nossas conquistas estéticas recentes já não são desconhecidas no resto do País e em alguns lugares do estrangeiro.

Gazeta – Sendo tua música bastante sofisticada, como consegues superar a barreira do “gosto popular” e formar teu público?
Vitor Ramil – Nunca serei um artista de massa. Nem quero isso. Mas acho que sempre vou encontrar quem esteja a fim de me escutar. Para isso apenas sigo meus impulsos criativos, minha necessidade original de expressão, cuidando sempre de fazer algo que seja pertinente na cena contemporânea.

Gazeta – Em Délibáb, tu divides os vocais com Caetano Veloso e já fizeste parceria com ele em outras ocasiões. Como é trabalhar com um ícone tão marcante na música popular brasileira?
Vitor Ramil – Conheci o Caetano, pessoalmente, apenas na hora da gravação. Foi emocionante para mim, sem dúvida, é um dos meus mestres desde a infância, um sujeito que compõe, escreve e pensa sempre com muita inspiração e lucidez.

Gazeta – Tua música Estrela, Estrela é uma referência muito forte da MPB. Passados 30 anos desde que fizeste a canção, ainda sentes frequentemente o apreço do público por ela?
Vitor Ramil – Claro, é minha canção mais conhecida. É boa a sensação de ver que um tema composto na adolescência pode perdurar por tantos anos e parecer estar sempre na ordem do dia.

Gazeta – Quais teus projetos para os próximos anos? Algum novo disco em mente? E na literatura, algum plano?
Vitor Ramil – Já entreguei meu livro novo à Cosac Naify, minha editora. Não sei se sai em 2012 ou 2013. No momento estou dando início à produção de um álbum duplo com 30 das 60 músicas que farão parte do meu songbook, que sai no segundo semestre deste ano pela editora Belas Letras. O disco vai se chamar Foi no Mês Que Vem. O repertório é todo de canções que já gravei em outros discos, mas revistos agora depois de terem sido lapidados em shows durante anos. Vai ser muito bom fazer novas e boas versões de temas cujas gravações originais ficaram datadas ou nunca me agradaram, além de estabelecer uma espécie de família de canções que terminou por definir a minha linguagem.

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