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Edição de - Opinião
Trânsito livre para o álcool

Mesmo sendo jornalista há mais de 30 anos, não encontro palavras para definir minha revolta com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que exige a comprovação de alcoolismo ao volante somente através de exames. Com filhos de 16 e 18 anos, perambulo pelas madrugadas fazendo o tradicional “transporte familiar jovem”. Observo barbaridades e ouço relatos impressionantes de adolescentes que levo de carona. Não me conformo com essa equivocada decisão de Brasília.
A fiscalização da venda de bebidas alcoólicas para menores é uma ficção responsável pela desintegração de milhares de famílias. O erário purga diariamente no ressarcimento de tratamentos de todo tipo para as vítimas do trânsito porque o consumo de álcool entre nós é cultural.
Bilhões são investidos em campanhas publicitárias. Tudo em vão, a partir de uma decisão lamentável do STJ, totalmente divorciada da realidade que aponta crimes diários nas ruas.
Meus filhos se acostumaram a me ver tomando refrigerante nos fins de semana. A melhor maneira de cobrar um bom comportamento é dar o exemplo. Com a chegada do frio, é difícil resistir a um cabernet do Vale dos Vinhedos, mas a partir das 5 horas o celular vai tocar. Então é hora de pular da cama, ir à rua para assistir a cenas dantescas protagonizadas por consumidores de todo tipo de bebida “que provoque tonturinha”.
As blitze são cada vez mais raras. Também escasseou a oferta de vans e táxis bancados por bares e restaurantes para transportar clientes que gostam de uma bebida alcoólica. O resultado do afrouxamento está nas estatísticas onde o álcool reina absoluto entre as causas, o mesmo que se verifica no levantamento dos crimes violentos. São ocorrências que eclodem a partir de inocentes confraternizações familiares até encontros sociais e comemorações esportivas.
Livre dos bafômetros acusadores e dos reveladores exames de sangue, o motorista bebum terá liberdade absoluta. Mesmo que tenha ingerido álcool acima de 0,6 grama por litro de sangue. Basta se negar a fazer os exames.
A decisão do STJ é um tapa na cara dos pais que zelam por seus filhos. E um péssimo exemplo de quem deveria zelar pela vida humana já tão banalizada.

Gilberto Jasper
Jornalista

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